A Educação Supeior Brasileira

O Brasil tem, na educação superior, um duplo desafio a ser enfrentado.
* Por Luiz Guilherme Brom.



Em 2009 o Brasil possuía 2.314 instituições de ensino superior, entre faculdades, centros universitários e universidades. Destas instituições, apenas 245 (10,6%) são públicas e o restante é composto de instituições privadas (com ou sem fins lucrativos). Essas escolas eram frequentadas por 5.954.021 alunos. Esses dados são do mais recente censo da educação superior brasileira, relativo ao ano de 2009 e divulgado pelo Ministério da Educação somente em fevereiro de 2011.

O Brasil tem, na educação superior, um duplo desafio a ser enfrentado. Um primeiro de ordem quantitativa, uma vez que apenas cerca de 14% dos jovens na faixa etária entre 18 e 22 anos de idade se encontram no ensino universitário. Um segundo desafio é de natureza qualitativa, uma vez que a esmagadora maioria das instituições de ensino do País apresenta padrão de qualidade abaixo da crítica.

Mesmo com baixa inserção de alunos, entretanto, os números da educação superior impressionam, ainda que nem sempre pelos seus aspectos positivos. O conjunto das instituições brasileiras, públicas e privadas, oferece 28.671 cursos de graduação, número que representa um aumento de 13% em relação a 2008. Em 2009, apenas 5,1% das instituições de ensino do Brasil detinham quase 50% das matrículas. E 14,1% dos estudantes do ensino superior estavam matriculados na modalidade de cursos Educação a Distância (EaD).


Chama a atenção também o fato de que em apenas cinco cursos superiores se concentram 50% dos estudantes brasileiros. São eles, nesta ordem: Administração, Direito, Pedagogia, Engenharia e Enfermagem. Os três primeiros, isso é bem sabido, são cursos de investimento e operação relativamente simples e baratos. Em outras palavras: a educação superior brasileira cresceu de forma concentrada em cursos de baixo custo de instalação. E a pergunta que fica é: tal concentração, sobretudo em cursos de baixa qualidade, atende aos interesses de quem?

O Censo também apontou um total de 307.815 docentes. Professores com titulação de mestrado representam a maioria desse universo (36%), seguidos pelos especialistas (29%) e doutores (27%). Mestres e doutores atingem 75% do corpo docente das instituições públicas e 55% das instituições privadas. A formação de professores no Brasil avança a duras penas, com apoio precário e muitas vezes fictício, considerando o valor irrisório das bolsas de estudos oferecidas. A profissão de professor no País ainda é ligada à ideia de sacrifício, de sacerdócio, de uma categoria que não precisa de salários decentes.

Como se pode notar, a educação superior brasileira já é grande, quando comparada a outros países, mas é ainda ineficiente e sofre de vários males. Não há como deixar de reconhecer os esforços do Ministério da Educação no sentido de melhorar esse quadro. Porém, é importante dizer também que o MEC poderia fazer muito mais, sobretudo no que tange a um maior esclarecimento da opinião pública brasileira

No Brasil, as boas escolas são ofuscadas pelo enorme volume de dinheiro que as escolas ruins destinam à publicidade. O Ministério demora muito para divulgar os indicadores de qualidade, como o Índice Geral de Cursos (IGC) ou o exame Nacional de Desempenho Estudantil (ENADE). E quando o faz, faz de modo pouco esclarecedor à opinião pública. Os jovens que vão para o ensino superior mereciam uma informação mais precisa a respeito das escolas e cursos, de forma a não serem enganados por instituições de baixa qualidade.

* Luiz Guilherme Brom é doutor em Ciências Sociais e diretor superintendente da Fecap (Escola de Comércio Álvares Penteado). luizgbrom@fecap.br

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