Sair do Armário. Sim ou Não ?!

Constantemente vemos na televisão, nos noticiários, nas revistas, nos sites de fofoca (principalmente) e em muitas outras mídias notícias do 'tipo': 'Fulano assume homossexualidade'; 'Beltrano sai do armário'; 'Ciclano admite ser gay'; e por aí vai...

Constantemente nos pegamos observando a vida de muitas pessoas (que 'saem do armário') sob um novo ângulo: "Agora fulano não é mais ator/empresário/escritor/cartunista/atleta... Agora fulano é gay". E as vezes não nos damos conta de que fulano não mudou nada; não deixou de ser quem era, não deixou de escrever, de atuar, de jogar futebol, de trabalhar. Mas não conseguimos deixar de lado o fato de 'fulano é gay'...

Coloco aqui a expressão 'nós' por mera conveniência. Eu não tenho este tipo de visão (graças à Deus) ha muito tempo, mas...

E o que isso de fato muda na vida de quem resolve 'sair do armário' ?? Sinceramente? NADA! Bom, algumas coisas mudam, como os comentários que muitas vezes são deixados de lado, como as piadinhas que fazemos de conta não entender, como os olhares desconfiados. Mas isso é consequência (infelizmente) de uma mentalidade machista e retrógrada enraigada na mente da maioria da população. É triste, é chato, é deselegante... Mas quando alguém decide 'sair do armário', provavelmente sabe que terá isso pela frente. Em muitos casos já tinha isso antes de fazer 'a passagem', então agora isso só se tornaria oficial.

Como sempre digo, para mim a orientação sexual não altera em nada o que penso sobre as pessoas. Pra mim o que vale é o caráter (que não escolhe sexo, cor, idade, posição social... muito menos orientação sexual). Simples assim. 

Mas e no  mercado de trabalho? Será que isso também acontece?

Aí o buraco é mais embaixo... 

Hoje, lendo uma reportagem no site da Gazeta do Povo fiquei intrigado pela constatação da matéria, de que aproximadamente 40% dos profissionais de RH admite que as empresas onde trabalham tem algumas restrições com relação à contratação de funcionários homossexuais (homens ou mulheres), mesmo que veladamente... Isso é triste. Mas creio que estejamos melhores do que ha alguns anos atrás... 

Enfim, sabemos que isso ainda levará tempo para ser mudado. Sabemos que a vida em sociedade pode ser cruel, sabemos que muitas pessoas vivem mentindo para a sociedade e para si mesmas sobre sua orientação sexual com medo de ser desprezados(as)/marginalizados(as)/excluídos(as)... Sabemos que grande parcela da sociedade ainda é intolerante às diferenças. Sabemos tantas coisas... Mas sabemos também que existe 'gente boa' no mundo; que existem empresas que não contratam seus funcionários por serem heterossexuais, mas por serem capazes (física, psicológica e intelectualmente) de desempenhar as funções às quais concorrem... Sabemos que tudo pode mudar, e esperamos que isso ocorra. 

Só não podemos ficar de braços cruzados. 

Já quanto a sair do armário: Sim ou Não ?! Não sei. Cada cabeça é uma sentença e cada situação é diferente. Então, creio que é uma decisão muito importante para muitas pessoas, mas que também não têm um tempo certo para acontecer. Quando se sentirem seguros, souberem que terão apoio de amigos, familiares, colegas de trabalho, provavelmente muitas pessoas 'sairão de seus armários'. E provavelmente essas pessoas serão mais felizes por saberem que estão sendo honestas consigo mesmas e com as pessoas ao seu redor. É fácil ?? Nem sempre. Mas é como disse Aguinaldo Silva ao ser questionado sobre sua sexualidade: "Achei quer era tão difícil ficar no armário que foi melhor sair logo".

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Sair do armário estraga a carreira ?


Fonte: Gazeta do Povo.



Gays e lésbicas podem ter a carreira prejudicada ao saírem do armário no trabalho? Ainda que esteja aumentando o número de empresas preocupadas em criar ambientes de trabalho mais favoráveis aos homossexuais, com a promoção de políticas para incentivar a diversidade – como a extensão de benefícios a parceiros –, pesquisas são ambíguas em apontar o impacto de ser honesto em relação à orientação sexual nas pretensões profissionais.

Um levantamento do site de vagas Trabalhando.com, feito com 400 profissionais brasileiros da área de recursos humanos, mostra que 38% dizem que a empresa em que trabalham têm restrições veladas na hora de contratar um homossexual. Apenas 3% afirmam que a orientação sexual não provoca nenhum tipo de problema no trabalho.

Outra pesquisa, do Ibope, também revela que o tema ainda é tabu para muitos brasileiros. Realizado nas cinco regiões do país, o estudo aponta que 24% dos entrevistados se afastariam do melhor amigo caso ele se revelasse homossexual. A mesma pesquisa diz que 39% dos brasileiros são parcialmente a favor, parcialmente contra ou totalmente contra homossexuais atuando como policiais. Outros 59% são totalmente a favor e 2% não souberam responder. Os números são semelhantes para médicos que atuam na saúde pública e professores do ensino fundamental.

Nos EUA, por outro lado, um estudo do Center for Work-Life Policy, instituição que estuda a diversidade no mercado de trabalho, afirma que sair do armário pode ser mais benéfico do que prejudicial à carreira. O estudo identifica dois motivos para o resultado. Um argumenta que esconder a sexualidade cria um forte conflito emocional, o que prejudica o desempenho dos profissionais gays e lésbicas no trabalho. Consequentemente, eles têm menor chance de ser promovidos. O outro está relacionado à falta de familiaridade dos gestores com os trabalhadores que não saem do armário. Para preservar a sexualidade, eles evitam interações sociais e não conseguem criar o engajamento necessário para ser lembrados na hora da promoção.

O consultor de empresas e psicólogo comportamental Carlos Esteves diz que o profissional precisa avaliar o comportamento da organização para a qual trabalha antes de tomar a decisão. “É possível ver qual é o grau de tolerância da empresa com temas controversos, como a opção religiosa ou a dependência química, para prever as possíveis consequências de tornar pública a orientação sexual”, afirma. Para ele, no entanto, o mais importante é que o profissional deixe claro, através de seu comportamento, que o desempenho dele no trabalho não tem qualquer relação com a sua sexualidade. “Esse tipo de postura contribui cada vez mais para que a sociedade aceite isso como algo natural”, afirma.

Angelo Rosa, gerente de projetos da Dell Brasil e líder do grupo Pride da empresa, voltado para a promoção da tolerância e do respeito à diversidade de orientação sexual dentro da companhia (leia mais nesta página), afirma que sair do armário no trabalho é uma decisão pessoal e, assim como Esteves, também diz que depende muito de cada empresa. “Preconceito existe, então é importante buscar saber quais são os valores da empresa”, diz.

Dell adotou políticas contra o preconceito

Entre 2000 e 2011, o número de empresas que adotaram algum tipo de política ligada à diversidade sexual aumentou de 50% para 85% entre as companhias que constam na lista da Fortune 500, ranking das maiores empresas dos Estados Unidos. Muitas dessas políticas acabam sendo transferidas para as filiais ao redor do mundo, como é o caso da Dell Brasil, que adotou uma série de medidas voltadas para os funcionários homossexuais. Em 2007, a empresa criou o grupo Pride, formado por funcionários para discutir ações de inclusão dos GLBTs (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros) no ambiente corporativo. A fabricante de computadores também estende os benefícios de plano de saúde e odontológico a parceiros dos empregados homossexuais.

De acordo com Paulo Amorim, diretor de recursos humanos da Dell, a iniciativa é uma forma de comunicar aos funcionários, na prática, os valores da empresa. “Uma empresa é formada por pessoas e, portanto, por definição, é um ambiente diverso. O que fizemos foi criar canais para sustentar essa diversidade”, diz. Além do Pride, a empresa também criou grupos para debater o conflito de gerações e a inclusão de mulheres e deficientes. Os participantes se reúnem a cada quinze dias e cada diretor da empresa é responsável por acompanhar um dos grupos. De acordo com o Amorim, o impacto na produtividade do funcionário é direto. “Quando um funcionário sente que pode ser ele mesmo dentro da empresa, com certeza ele trabalha mais motivado. Se ele se sente respeitado e motivado, o bom resultado é uma consequência”, diz (grifos nossos).

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